optimismo
hoje, cada vez que começar a pensar que a minha vida tá uma merda, vou pensar na sara.
apesar de tudo tudo tudo, a vida vale a pena viver. e eu dizer isto neste momento da minha vida é dizer muito.
ou como uma química lisboeta e benfiquista convicta com mau feitio e viciada em coca-cola sobrevive numa aldeola na alemanha sem aderir ao acordo ortográfico e escrevendo apenas em letra minúscula

Continuas por cá, a fazer o quê não sei. Mais fácil assim, não é? Aqui não gritas e eu não choro. É um descanso regalado: vais sabendo do que me falta e do que me sobra, sem que o mesmo te falte ou sobre a ti. Existe algo de doce e de confortável, não achas?, no compromisso unilateral do que escreve e na saciedade daquele que religiosamente o lê. (...) Ah, que descanso!, livre da urgência e da marcação serrada, dos telefonemas a desoras e do querer sempre mais, pois só um almoço não chega, porque não um jantar, porque não agora, porque não mais vezes, quero mais de ti, quero mais e mais e mais. E que bom para mim também!, repara: não te fartas nem me desiludes, não me fodes nem me deixas, não me enganas nem me aldrabas, não me baralhas, não me desconcertas, não chegas tarde e a más horas, não te vens em três minutos, não me deixas a arder na cama... nem me juras que a vais deixar.


