quero uma THERMOTEBE!!! <3
e, por falar em revivalismos, lembram-se que antes do quicky havia este?!


OMG! é tão bom recordar...
ou como uma química lisboeta e benfiquista convicta com mau feitio e viciada em coca-cola sobrevive numa aldeola na alemanha sem aderir ao acordo ortográfico e escrevendo apenas em letra minúscula

esta amizade já vai longa. o reumatismo, os bicos de papagaio, a menopausa, as arritmias, a pele seca e as rugas já rondam, mas ela continua fresca e boa. passamos menos tempo juntas mas não estamos menos próximas.
és linda todos os dias e mais a cada ano que passa. os 26 vão-te trazer surpresas boas, tenho a certeza, e eu vou estar lá pra ver.
amo-te. parabéns*
P.S.: estamos um ano mais perto dos martinis ;)
a maioria não está nada de jeito, mas são todas especiais.
canon = <3

nada está actualizado (morada, números de telefone, mail, corte de cabelo!!! só o nome é que se mantém), mas é lindo ver como a betalhada dos maristas me via: "boxers de fora das calças 10 números acima a combinar com uns ténis do triplo da largura dos pés". e terem-me nomeado "miss radical", whatever that is, logo a mim, que de radical não tenho nada. e é giro eles chamarem-me "dread", dizerem que eu usava "correntes" e nunca percebi o que quer dizer "buéda radi, man, iô"... será que eu era uma motoqueira do hip hop e senil simultaneamente?... eu com aquele arzinho inocente e relaxado de quem só quer que a deixem em paz!
e já não me lembrava que me chamavam tangie (tempos de IRC) e que estava sempre a dizer "boom, já estás!" :)
ai ai... recuerdos de uma outra vida.

Quando
Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.
Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.
Será o mesmo brilho, a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.
Sophia de Mello Breyner Andresen
ando muito poética, eu, não sei o que se passa.
a homenagem de hoje vai a esta senhora. novamente, gosto desta poesia pelo realismo duro dela, sem pretensiosismos, paulo-coelhadas ou ocas filosofias.
mas gosto em particular de uma frase. a frase que, em 26 anos de literatura lida, mais mexeu comigo. não o meu livro ou poesia preferidos, não o meu conto, texto ou página preferidos, nem sequer a minha quadra ou pensamento preferidos - uma frase. não a frase mais bonita, mais bem construída ou mais poética ou romântica, mas a que mais mexeu comigo, mais me fez pensar, mais abalou as minhas convicções.
"Outros amarão as coisas que eu amei."
a uma frase perfeita nada se pode acrescentar.
Anti-Anne Frank
Esta criança esquálida,
de riso obsceno e olhares alucinados,
nunca apertou nas mãos a fria face pálida,
nunca sentiu, na escada, as botas dos soldados,
nunca enxugou as lágrimas que aniquilam e esgotam,
nunca empalideceu com o metralhar de um tanque,
nem rastejou num sótão,
nem se chama Anne Frank.
Nunca escreveu diário nem nunca foi à escola,
nem despertou o amor dos editores piedosos.
Nunca estendeu as mãos em transes dolorosos
a não ser nos primores da técnica da esmola.
Batem-lhe, pisam-na, insultam-na, sem que ninguém se importe.
E ela, raivosa e pálida,
morde, estrebucha, cospe, odeia até à morte.
Pobre criança esquálida!
Até no sofrimento é preciso ter sorte.

"E óptimo é também Vicky Cristina Barcelona, uma comédia sexual de um Woody Allen rejuvenescido e a fazer de Barcelona a sua nova Manhattan, nem que seja só por um filme.
(...)
Penso que Vicky Cristina Barcelona não irá converter quem nunca foi à bola com Woody Allen e talvez também não convença quem caiu no preguiçoso lugar comum que legislou que nenhum filme que ele fez nos últimos anos (à excepção do mais consensual Match Point) e nenhum que ele fará nos próximos, se irá comparar aos que ele fez nos anos 70 e 80. Mas, para mim, é uma pequena e fina iguaria, uma saborosa tapa (para continuar o ambiente espanhol do filme) onde Allen experimenta pôr um pezinho no colorido universo Almodóvar sem deixar de ser ele próprio."